Pequena introdução

Este blog funciona como um arquivo pessoal do que chamo «as minhas Angolanices», o que vou investigando e publicando por aí – e tenho o prazer de partilhar.

Divulgarei aqui alguns trabalhos académicos sobre a História Contemporânea de Portugal e de Angola, que fui elaborando ao longo dos dois anos de mestrado na Universidade Nova de Lisboa, concluído em 2011.

Os «Casos em Aberto», ainda em branco, representam um desafio: postar material que recolhi após a publicação dos «Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola» (2009), resultante da partilha de sentimentos e de histórias de vida de pessoas com familiares desaparecidos em Angola.

Lisboa, 21 de Setembro de 2012

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3 thoughts on “Pequena introdução

  1. Já reenviei este endereço para vários amigos da Angola pré e pós independência pois acho que vale muito a pena partilhar as vivências e investigação de cada um sobre a terra a que nos consideramos indelevelmente ligados, que viu nascer alguns de nós, viu crescer e morrer muitos outros. Para mim, o sentimento de pertença está sempre presente. São marcantes as primeiras impressões da terra, no Quipungo e na Quibala, tinha eu 5 anos e depois a escola e o liceu em Luanda, o cheiro da terra depois das chuvas, o nascer e pôr do sol. Saí para ir estudar em 1964 e cada vez que voltava, ao abrir-se a porta do avião sentia aquela humidade terrível e aquele cheiro único a barro?. Sentia-me aconchegada. Com os ideais da juventude, regressei em 1976 para lá me instalar e ajudar na construção do novo país. Sempre defensora das liberdades, nunca me liguei a nenhum partido ou organização para-partidária. Por questões pessoais minha estadia foi no entanto curta, uns 4 anos, tendo no entanto aí vivido o 27 de Maio. Sem querer comentar o pré, o durante e o pós, gostaria de, a este propoósito relatar um pequeno acontecimento aberto à interpretação de cada um; No organismo estatal em que eu trabalhava, andavamos a ornaizar um fim-de-semana no parque da Quissama para o que precisávamos do apoio logístico dos assessores cubanos. Depois de finalmente nos termos todos posto de acordo sobre a data, o que demorou mais de um mês, comuniquei-a ao nosso assessor principal e ele, sorrindo simpaticamente disse-me que não podia ser. Porquê?, perguntei, recebendo como resposta um não posso dizer, mas, nesse fim-de-semana será impossível. Então vamos ter serviço voluntário (era assim que se chamava apesar de ser obrigatório…) no porto?, retorqui. Não, não, disse ele, esquece esse fim-de-semana; não pode ser, continuou, sempre com um ar bem disposto. E foi nessa semana que eclodiu o golpe nitista, no dia 27. Esta atitude do nosso assessor confirma certamente aquilo que já se imaginava: as cúpulas sabiam perfeitamente que o golpe iria ter lugar mas deixaram que ele acontecesse para assim poderem “limpar” quem não lhes interessava. E foram aos milhares…Não era prevenir, evitá-lo, o que estava em causa, mas simplesmente dar cabo de muitos, apelidando-os de qualquer coisa que conquistasse a simpatia da população.
    Não privava com a Sita Alves apesar de, quando crianças termos andado nos grupos de natação de competição no Nun’ Álvares (tenho comigo um recorte do jornal onde estão as classificações dos nadadores numa das competições dos anos 50), mas conhecia o irmão “desaparecido”. Senti muito quando uns 3 meses depois do golpe a tríade foi capturada, pois apesar das declarações do governo no sentido contrário, estava bem de ver o que lhes iria acontecer…

      • Também “assisti” ao golpe do 27 de Maio, mas antes a agitação já se notava antes. Estive num célebre comício no Lubango com a presença de Agost. neto onde se gritava de um lado Neto! Neto! e de outro Nito! Nito!. Também foi nessa sequência onde muitos foram presos nos dias seguintes naquela cidade pela facção do Nito Alves, onde me incluo. Alguns desapareceram na prisão, e nos dias seguintes podia-se comprovar na Tundavala centenas de invólucros de balas e até cobertores nas amuradas do precipício. Felizmente safei-me da prisão depois de uma sessão de “porrada” mas outros não tiveram a mesma sorte. Mas isto não invalida que a repressão aos nististas tenha sido furiosa, descabida, vingativa e mortos milhares de inocentes. No Lubango, como era uma cidade pequena toda a gente conheceu as vítimas que desapareceram e muitos dos carrascos que se vingaram de antigas questínculas!!

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